domingo, julho 12, 2020

A Magia da Intenção

Artigo publicado originalmente no site Bruxas.org em 23/01/2002
 
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 Afinal, o que faz um feitiço funcionar? 
Seguir a receita? 
Pedir para os Deuses? 
A resposta nem é tão complicada e pode incluir tudo isso: é só você querer. 
Ei, péraí... É querer!!!

Vamos consultar o dicionário:

- intenção
s. f. 1. O próprio fim a que se visa.
2. Intento, pensamento, propósito.
3. Pensamento secreto e reservado.
4. Vontade, desejo.

- querer (citando alguns dos significados)
v. 1. Tr. dir. Sentir vontade de; ter a intenção de;
2. Tr. dir. Almejar, ambicionar, anelar por, desejar.
3. Intr. Exprimir o ato psicológico e formal da vontade; mostrar decisão: Querer é poder.
4. Tr. dir. Diligenciar, intentar, trabalhar por: Queriam implantar a desordem.

Essa é a diferença entre um ato comum e um ato mágico: agir com intenção e concentração. Abrir a porta para receber um convidado, passar um café, fazer um sabonete ou a janta, tudo isso e muito mais pode tornar-se mágico, depende somente da forma como fazemos. Normalmente realizamos esses atos do dia-a-dia sem prestar muita atenção. Tomar um banho, por exemplo, para muitos é simplesmente abrir a água do chuveiro e passar sabonete no corpo para tirar o suor do corpo. E qualquer pessoa pode mudar isso, basta visualizar que a água lava também os pensamentos negativos, as tristezas e frustrações, e terá começado a trazer a magia para sua realidade diária.

Essa intenção é que transforma objetos e ações em talismãs, feitiços, bruxices ou seja lá o nome que você queira dar. Os bruxos dizem que carregam um objeto quando se concentram e colocam seus desejos e intenções (bem, você já sacou que intenção e desejo é a mesma coisa, né?) nesse objeto, como uma pedra, por exemplo, e esse que é o pulo do gato: não adianta seguir a receita direitinho, se você se preocupou mais com a conta a pagar no dia seguinte (ou se estava fazendo certo) do que com a magia que estava fazendo. Tem que usar toda a sua concentração... Focalize sua mente nas ações a serem feitas agora e relaxe, permitindo que sua mente faça o restante do trabalho. Visualize que está feito... e pronto. 

E o mais importante: acredite que funcionou. Acredite em si próprio, que o seu poder pessoal foi liberado para o universo e realizou a magia. "Mágica é o movimento das energias naturais para criar a mudança necessária", já dizia Scott Cunningham.

Existem excelentes formas para alcançar a concentração necessária, uma das que mais gosto é repetir um versinho ou rima como se fosse música. Não precisa ser poesia de primeira linha (embora ajude!!!!), mas tem que ter seu toque pessoal. Ah, vai pedir para Hera proteger sua casa e trazer harmonia? Crie e invente seu verso, pense em uma música que combine e repita várias e várias vezes, enquanto mistura as ervas e prepara tudo. Música também traz alegria, aquece o coração e a alma, acalma a mente e libera nossas magias... quer coisa melhor?

Tenho percebido em minhas andanças que muitas pessoas passam pela vida sem realmente vivê-la. Algumas ficam lamentando o ontem e esperando o amanhã, sem valorizar e aproveitar o presente. Concentração é isso: estar por inteiro no momento atual.

Intenção é o desejo, é visualizar que alcançamos aquilo que queremos. No fundo, é o que move a todos nós...

Mais que uma pitada de sal

Este artigo foi originalmente publicado no site Bruxas.org em 12/11/2001.

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Como falar de magia e não falar do sal? Substância essencial à vida, seu excesso pode causar a morte. Excelente esterilizador, é uma das melhores matérias primas da magia, limpando e purificando auras e ambientes com grande eficácia.

O cloreto de sódio é tão importante hoje em dia quanto foi na antigüidade. Mineral de estrutura cristalina composto por cubos regulares de seis lados, sua estrutura relaciona-o ao elemento Terra. A constituição das camadas geológicas subterrâneas demonstra que o sal apareceu nos depósitos mais recentes da crosta da terra, tornando-se abundante à medida que a vida se organizava. Extraído de minas ou obtido pela evaporação da água do mar (o que o relaciona também ao elemento Água), sua produção e utilização já eram conhecidas desde o princípio da humanidade, como comprovam antigas ilustrações e textos de cerca de 4.000 AC.

No Antigo Egito, ele era essencial na salga de alimentos, especialmente da carne, e como auxiliar no processo de mumificação dos mortos. Gregos, romanos e outros povos antigos utilizavam o sal não só como condimento para dar sabor aos alimentos, mas também como moeda para suas operações de compra e venda. A palavra latina 'salário' surgiu porque os romanos pagavam com sal as remunerações de suas legiões. E um principais acessos de Roma chama-se "Vila Salaria", justamente por ser o caminho por onde vinham as caravanas que traziam sal para a capital do Império. Os romanos ainda tinham uma prática cruel contra os inimigos vencidos: salgavam a terra, tornando-a infértil.

No Brasil colonial, o costume de consumir sal foi trazido pelos europeus. Para sua distribuição, foram abertas as "estradas de sal", utilizadas por bandeirantes para alcançar o sertão e o interior. E sua extração começou a ser feita por nossas bandas em 1801.

Considerado como uma raridade, até o século XVIII um saleiro de prata colocado na mesa era utilizado para indicar a importância dos convidados nas mesas. Acima do sal sentava-se o anfitrião à cabeceira, com os convidados mais ilustres. Abaixo do sal ficavam os convidados menos nobres.

Com a chegada da Revolução Industrial, o sal passou a ter mais funções, tornando-se matéria prima essencial para indústrias químicas e têxteis, sendo utilizado para produção de cloro, soda cáustica, barrilhas, ácido clorídrico, vidro, alumínio, plásticos, borracha, hidrogênio, celulose e em centenas de produtos das indústrias químicas, metalúrgicas, de alimentos e outras.

E durante esse tempo todo, o sal também foi utilizado com finalidades religiosas. Por sua pureza e dificuldade de obtenção, era uma das oferendas mais importantes para as divindades, sendo considerado um substituto mágico do sangue, quando este era necessário. Os altares no antigo Egito, Grécia e Roma eram limpos ritualisticamente com sal, ato repetido pelas igrejas cristãs. No Havaí contemporâneo, ainda é praticado um antigo ritual de misturar o sal alae (sal de rocha coberto com solo vermelho rico em ferro) com a água para pulverizar com uma folha de ki sobre as pessoas para purificação. Os mexicanos costumam pendurar uma grande coroa de alho ou babosa com pequenos pacotes de sal para espalhar proteção e atrair dinheiro. E por todo o mundo ele é utilizado para limpeza e purificação de objetos.

Desta vez, pretendo apresentar algumas utilizações e receitas para aproveitarmos esse mineral com sabedoria.

Limpeza e purificação de objetos
Você ganhou uma bela pedra e deseja utilizá-la magicamente? Seja qual for o objeto, sempre é aconselhável limpá-lo. Se for uma pedra ou outro objeto que possa ficar na água, numa noite em lua minguante, coloque-o mergulhado em uma solução de 50% de sal grosso e 50% de água em uma vasilha de vidro, cerâmica ou porcelana (metais em geral não são adequados, pois liberam toxinas). Deixe por 1, 3 ou 7 noites e lave bem após retirar da solução. Se for algo que não possa ser molhado (como cartas de um tarô), simplesmente não coloque a água, enterre-o no sal. Ah, não reaproveite o sal ou a solução, jogue fora depois de usar.

Pequenas práticas mágicas
Para proteção de seu lar, espalhe sal nos cantos de cada aposento.

Caso precise 'aterrar-se', conectar-se à terra com mais firmeza, coloque uma pitada de sal em sua língua. Outra possibilidade é carregar um saquinho verde com sal em sua bolsa ou carteira (não precisa ser muito). Também serve para atrair dinheiro, especialmente se for pulverizado com noz moscada (você ainda pode incluir uma pedra como jade, olho de tigre ou outra voltada a dinheiro). Quando sentir que atingiu seu objetivo, jogue o sal em água corrente e limpe a pedra.

Espalhe sal grosso para delinear seu círculo mágico (não faça isso na terra, pois muita quantidade de sal pode torná-la infértil).

Banhos mágicos
A eficácia dos banhos mágicos é conhecida a muito tempo. Eles servem tanto para purificação quanto para relaxamento, depois de um longo dia de tensão...

Sais espumantes para chuveiro
Ingredientes (rendimento: cerca de 1,300 kg)
1 kg sal (pode ser fino ou grosso)
250 g de sulfato de magnésio (ou sal amargo)
15 ml de essência
5 a 6 gotas de corante alimentício
50 g de lauril em pó

Como fazer
Misture bem todos os ingredientes em um refratário (ou em um saquinho de plástico transparente). Coloque-os em vidros bem fechados.

Este sal de banho para chuveiro pode ser aplicado em uma esponja, atuando como esfoliante. Quando utilizá-lo, visualize que seus problemas, dúvidas, preocupações, angústias, doenças e quaisquer energias negativas são lavadas, deixando seu corpo e indo para a água, onde serão neutralizadas e transmutadas.

Sais efervescentes para banheira
Embora não contenha cloreto de sódio, estes sais contém bicarbonato de sódio, parente próximo do sal e responsável pelo efeito efervescente. Bons como componentes de uma noite romântica...

Ingredientes (para 3 bolas médias)
1 xícara (chá) de bicarbonato de sódio
1/2 xícara (chá) de ácido cítrico
1/2 xícara (chá) de amido de milho (Maizena ou outro)
10 ml ou 2 colheres (sobremesa) de essência ou óleo essencial a gosto
Algumas gotas de corante alimentício (na cor que desejar) (no máx. 6 gotas, senão mancha a pele)
1 vidro de spray com água
1 vasilha de vidro
1 molde de alumínio tipo esfera (caso deseje que as bolas tenham um formato regular)

Obs.: SEMPRE USE LUVAS!!! Senão a pele da mão descasca inteirinha.

Como fazer
1. Coloque os três primeiros ingredientes na vasilha e misture bem com as mãos. Muitas vezes eu faço dentro de um saquinho transparente ou de supermercado, pois assim não preciso ficar lavando a vasilha e não mancha a gente. Também é ótimo porque evita a mistura dos cheiros das essências e depois podemos jogar fora sem consciência muito pesada. Se quiser que faça espuma, acrescente 1 colher (sopa) de lauril em pó à receita.

2. Adicione aos poucos a essência e o corante, intercalando-os e mexendo com as mãos.

3. Com o vidro de spray, borrife POUCA água, devagarinho, e vá mexendo até sentir que a massa está úmida. (esta parte que precisa ser sem as luvas, mas só para sentir a umidade da massa). Excesso de água provoca a efervescência, muito cuidado para não chegar a esse ponto.

A manha: O ponto certo é quando a massa não forma nenhuma rachadura ao ser comprimida na palma da mão, com consistência de cuscuz.

4. Coloque um pouco da massa no molde e aperte bem. Quando preencher, tampe com a outra metade e complete com o restante da massa, apertando pelo orifício superior. Outra opção é fazer uma bola à mão, porque quando se usa o molde, muitas vezes a bola se quebra quando tentamos tirar... e à mão fica com uma carinha bem rústica, é legal colocar umas ervas ou uns cravinhos enfeitando.

5. Aguarde cerca de 15 minutos e desenforme. Repita o processo para formar outras bolas.

Normalmente, esta bola é jogada em uma banheira ou balde com água.

MINHAS DICAS

- Coloque ervas em flor como camomila, pedaços de canela, pétalas de flores secas e até mesmo mini-rosas misturados na massa. Ou então casca de laranja desidratada.

- Aplique purpurina em pó na forma e depois coloque a massa (a bola sai com a purpurina junto, fica lindo!).

- Para embrulhar, utilize papel chumbo (tipo de bombom) ou o filme plástico (aquele que usamos na cozinha mesmo!).

- Se você estiver em São Paulo, a melhor região para comprar os ingredientes é a Rua Silveira Martins, próximo à Praça da Sé. Algumas das lojas de lá também fazem entrega no Brasil inteiro.

OBS.: A validade dos dois produtos é de 6 meses.
Se alguma criança for utilizar, dê preferência aos sais efervescentes para banheira. O sal é forte demais para ser usado com crianças. Evite usar mais de 3 x por semana, porque os sais tiram a oleosidade natural da pele e ressecam. Após o uso, passe um bom óleo ou creme hidratante.

Bons banhos e bons cheiros!

Bibliografia
Cunningham, Scott - Enciclopédia de Cristais, Pedras Preciosas e Metais - Ed. Gaia, 1999.
Streep, Peg - Altar - A Arte de Criar um Espaço Sagrado - Bertrand Brasil, 1999.
Deaver, Korra - Rock Crystal - Samuel Weiser, Inc. - 1987.

www.quimicoll.hpg.ig.com.br
www.romani.com.br

Um Certo Aroma no Ar

Em 2001 e 2002, escrevi alguns artigos para um site que, infelizmente, saiu do ar faz um tempo, o Bruxas.Org.
Era uma iniciativa bem legal que juntou amigos queridos, inclusive alguns que já atravessaram a ponte do arco-íris.
Vou republicar os artigos que considero válido manter disponíveis.
E deu saudade daquela época, das reuniões nas varandas da minha casa, das conversas nos botecos da Vila Madalena que eram tão divertidas...

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Um certo aroma no ar...
(Publicada originalmente no site Bruxas.org em 22/10/2001)

E quem não gosta de um cheiro bom espalhado na casa? Abrir a porta de entrada e sentir pelo olfato que chegou no seu canto...

A primeira ocasião em que um lar foi perfumado talvez tenha sido quando o homem queimou em sua caverna uma árvore de resina aromática... um pinheiro? Uma tuia? E assim foi descoberta a defumação, que fazemos até hoje com incenso ou ervas, queimados para perfumar ambientes e agradar aos Deuses...

Na antigüidade, era comum aplicarem nas paredes e pisos das casas mais ricas vários ungüentos perfumados ou águas de cheiro e juncados de flores. Quando o tempo esfriava, as lareiras queimavam madeiras aromáticas que mantinham o ambiente aquecido e cheiroso.

Almofadas recheadas com ervas secas, fragrâncias em pó colocadas entre lençóis, roupas impregnadas com perfumes e guardadas em arcas de madeira odorífera... podemos apenas imaginar como seria. E se tentássemos trazer um pouco daquela sensação? Portanto, minha sugestão é fazer sachês e águas-de-cheiro, simples e rápidos...

Sachês
Excelentes para colocar dentro de armários e gavetas, ainda oferecem a vantagem de afastar insetos (dependendo da erva utilizada).

Material necessário:
Feltro ou outro tecido
Agulha
Linha de bordar (mouliné ou do tipo Cléa)
Tesoura
Erva para rechear (o ideal é uma semente perfumada, como aniz, lavanda, alfazema, etc.) ou então algodão embebido com essência ou óleo essencial.
Papel para imprimir ou desenhar o molde .

Molde:


Opções: utilize outro molde que você goste mais... Ou recorte figuras geométricas como quadrados, círculos, etc., e enfeite com rendas, fitas e bordados que podem ser costurados ou mesmo colados no tecido.

Modo de fazer:
Imprima o molde no papel e recorte na linha pontilhada. Alfinete o molde aberto sobre o tecido dobrado e corte uma vez. Junte as duas metades de tecido e costure, deixando um vão com cerca de 4 cm. Nas curvas, faça piques (pequenos cortes transversais que não alcançam a linha reta e permitem que as curvas fiquem boas) e vire o trabalho. Coloque o recheio, costure à mão a abertura, prenda uma fita onde desejar e, afinal, pendure-o nos armários ou mesmo em um local onde o vento bata e traga o aroma dos deuses para a sua casa...

Dica para iniciantes: Aconselho a usar feltro, que não precisa de acabamento e é fácil de costurar.

Dica mágica: Sempre que fizer algum trabalho como esse, visualize a sensação que você deseja trazer para sua casa ou espaço: proteção, alegria, paz, conforto, etc...

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Água de cheiro

É algo simples de ser feito e que ajuda a limpar, proteger ou alegrar um ambiente, portanto escolha a erva a ser utilizada de acordo com os sentimentos que ela lhe traz. Algumas idéias:

Para o quarto de dormir: rosa + canela, jasmim, gerânio, lavanda, alfazema.
Cozinha: alecrim, coentro, manjericão.
Sala: sálvia, manjericão, lavanda.
Banheiro: alecrim, arruda, eucalipto, hortelã.
Escritório: alecrim, hortelã, limão, verbena.

Material necessário:
200 ml de álcool
100 ml de água
4 colheres de sopa da(s) erva(s) escolhida(s)
5 gotas de óleo essencial de lavanda (funciona como fixador)
Garrafa tipo spray

Modo de fazer:
Ferva a água, tire do fogo e coloque as ervas. Passe para um vidro com tampa e deixe em infusão por 2 horas. Misture o álcool, o óleo essencial de lavanda e coloque na garrafa tipo spray. Agite antes de borrifar no ambiente. Também é possível borrifar suas roupas recém lavadas para deixá-las perfumadas.

Outra forma é misturar óleo essencial à água e chacoalhar. Simples e rápido, é de eficiência garantida... E lembre-se de visualizar aquilo que deseja ao borrifar!

Dica: cuidado ao trabalhar com a arruda, pois contém princípios tóxicos e não é aconselhável ingerir em grandes quantidades.

Existem ainda outras formas, talvez uma das mais comuns seja a defumação. Ok, sei que tem muita gente que acende seus palitos de incenso. Mas quem já experimentou a delícia de queimar mirra ou olíbano entende porque comento... Aliás, no séc. IV, o incenso era condenado pela Igreja Católica como acessório de idolatria, alimento de demônios, etc. Uma das razões principais disso é que as pessoas tinham que queimar incenso perante a imagem do Imperador de Roma para provar a lealdade, e vários cristãos que se recusaram acabaram na fogueira por isso.

Para quem quiser experimentar, o ideal é comprar um incensário ou turíbulo, disponíveis em casas religiosas ou de umbanda (lugares fantásticos pra encontrar coisas interessantes!). Acenda um carvão de tamanho médio até ficar vermelho, em uma boca de fogão mesmo, coloque dentro do turíbulo e jogue a mirra ou outra erva sobre ele. Em seguida, espalhe a fumaça no ar...

E por fim existe o ato mais simples de todos: coloque flores naturais dentro de sua casa!

Aí estão algumas idéias... bons cheiros pra todos!

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Despedida de uma miauzinha muito amada



O dia termina e foi lindo, de céu azul límpido.
O sol já se pôs e só vemos bordas rosadas no horizonte, enquanto os passarinhos cantarolam animados.
Enquanto escrevo, minha amada filha gatinha ressona tranquila.
Provavelmente esta é sua última noite em nossa companhia...
Nos últimos três meses ela passou por percalços, até ficou ceguinha e mancando em uma das pernas, embora tenha preservado sua beleza de gatinho, o pêlo longo e a vontade de fazer as coisas do jeito dela. Isso foi sinal de que a hora dela estava chegando...



E eu, bem, estou de coração partido.
Sei que ela tem quase 17 anos, e que persas costumam viver só metade disso.
Que ela foi uma gatinha sortuda por ter humanos dedicados que prestaram atenção ao seu bem estar e saúde, que a protegeram com carinho.
Mas também sei que ela foi minha fiel companheira desde que a recebi em nossa casa.
Só tenho a agradecer por ter visto suas espreguiçadas e cochilos ao sol.
Por ter convivido com suas manhas e gracinhas, por ter ouvido tantos ronrons que mais parecem um passarinho feliz.
Pelos abraços e pelo amor que compartilhamos.
E já estou sentindo imensamente a sua falta, minha amada filha gatinha, menina linda do meu coração.

Que Bast a leve nos braços e a abençoe nessa passagem.


(Esta imagem de Bast é do maravilhoso Dave Mcqueen)

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Frio pacas!

Aí a criatura vem para uma terra onde o inverno é frio.
Geladão. Úmido e enevoado.
E a criaturinha descobre: tá frio pacas! (F-r-i-o  P-a-c-a-s!!)
O que ela faz? Se agasalha, é claro.
Mas criaturas acostumadas ao calor e recém chegadas ao frio não aprenderam ainda as manhas.
Geralmente o inverno no Brasil não fica muito abaixo de 15 graus, né!
Então nossa exemplar criatura coloca meia calça com pé + calça, + meia de algodão.
Mais a camiseta de manga longa (algodão, claro).
E uma malha de "lã" que na verdade é de acrílico.
Só que acrílico, poliéster e afins são uma roubada gigante.
Essa sim é a turminha do mal: te aquecem num primeiro momento.
Aí continuam te aquecendo depois que você está quente.
Como não são fios naturais, não conseguem gerenciar direito o suor.
E esse é o pecado do inverno: a criatura se agasalha imensamente achando que vai passar frio, porque tá frio pacas. (F-r-i-o  P-a-c-a-s!!)
E aí o suor, que não consegue sair por todas essas roupas, vai esfriar aquele corpo superaquecido, que suou, é claro!, e a pobre criaturinha vai ficar gelaaaadaaaaa... pacas.
(G-e-l-a-d-a  P-a-c-a-s!!)



Para resolver, precisa de malha e meia de lã. Ou tecidos técnicos.
O algodão é bom, mas nem sempre ele consegue gerenciar essa umidade toda.
Mas a lã consegue gerenciar a umidade até 50% de seu peso, ajuda tanto!
Se for meia calça com lã, maravilhoso. E sem pé, tá, porque se a sua meia 3/4 de lã ficar suada (e molhada), seu pé vai esfriar.
Então a gente troca a meia quando ela fica úmida. Eu costumo levar um par seco quando saio para ficar o dia todo fora. (E um saquinho para guardar a meia úmida que acabei de tirar do pé!)

O casaco precisa ser impermeável, leve e quentinho.
Ou seja, esqueça o casaco da vovó, pesadão, que vai te deixar super cansado.
O ideal é um trench coat com parte interna quente ou, melhor ainda, as famosas down jackets, aqueles casaquinhos recheados de penas de ganso.
Uma down jacket e uma camiseta de manga longa aguentam até uns 13 ou 14 graus.
Menos que isso, uma malha de lã resolve e nem precisa ser muito grossa, ok.
A melhor parte: segura o vento, que é implacável por estas terras.
Lembre de colocar uma bota confortável que cubra ao menos parte do tornozelo e de levar um bom guarda-chuva.
Você vai sobreviver sem precisar de milhares de camadas de roupas!!
Afinal, conforto é essencial no frio. E eu fico feliz porque aprendi tudo isso antes de mudar pra Portugal...

domingo, julho 30, 2017

Tricô de cima para baixo

Tem alguns anos (em 2008, para ser exata), comecei a tricotar seguindo um esquema muito interessante, conhecido como "Top Down": a gente começa na gola, vai tricotando até o início das mangas, divide o trabalho entre frente, mangas e costas. Aí seguimos e, ao terminar, não precisa costurar nada (ou muito pouco!). Tricotei algumas peças usando esse método. 
A primeira foi usando o livro Knitting the New Classics, fiz o pulôver Vis a Vis.
Depois fiz um cardigã de algodão (que ficou no Brasil) e ainda fiz outro de lã, esse rosa aí da foto.



Usei tanto essas peças que decidi comprar um livro só sobre esse método, que se tornou meu livro de tricô predileto: Knitter's Handy Book of Top-Down Sweaters: Basic Designs in Multiple Sizes and Gauges, da maravilhosa Ann Bud (que também escreveu meus livros prediletos para tricotar meias, mas aí é outra história).
https://www.amazon.com/Knitters-Handy-Book-Top-Down-Sweaters/dp/1596684836/

Até agora fiz três peças com as instruções que vêm nele: o pulôver cinza, o casaco em tons de verde, azul e roxo e o pulôver bege com detalhes em verde e rosa. O legal é que ele dá não só receitas, mas tem o esquema para você tricotar aquilo que precisar.Caso você não queira investir em um livro (importado, ainda por cima!), dá para tricotar algumas peças com as informações que já estão disponíveis na internet.

O blog As Tricoteiras ensinam o método e dão uma receita para seguir: http://www.tricoteiras.com/?p=366
Leia também o complemento explicando como calcular os pontos: http://www.tricoteiras.com/?p=122


Para quem é mais visual, este vídeo é ótimo: https://www.youtube.com/watch?v=tw9NjKun2i8

Se você manja de inglês, pode usar a calculadora para pulôveres top down:
http://www.ravelry.com/patterns/library/top-down-raglan-sweater-generator

E aqui ainda tem um esquema excelente para improvisar um pulôver em raglan:
https://fringeassociation.com/2013/03/08/how-to-improvise-a-top-down-sweater-part-1-casting-on-and-marking-raglans/

Além de raglan, também é possível tricotar mangas de outras formas:
http://www.ravelry.com/patterns/library/contiguous
Essa está na minha lista de projetos a experimentar. :)

Boa diversão!


quinta-feira, setembro 08, 2016

Uma casa portuguesa com certeza


A vida dá suas voltas mesmo.
Já tinha algum tempo que eu e o marido queríamos mudar de ares. E assim foi. 
Vendemos/doamos/demos/presenteamos 90% do que havia em casa. 
Juntamos o pouco que restou em algumas malas e caixas, preparamos a filha gatinha (sim, com 16 anos não tinha como deixá-la para trás!) e partimos para o Velho Mundo.

 

E agora aqui estamos (essa foto foi em Coimbra!).
Chegamos em Lisboa, num abril chuvoso e a primavera que mal deu as caras de tantas águas que corriam.
Por sorte as meias de lã estavam nas malas, porque o frio foi forte até meados de maio. Tive a oportunidade de acompanhar a primavera chuvosa dos campos verdes que o verão transmutou em dourados e marrons. 

Agora os ventos de outono já trazem outras mudanças, mais cores, quem sabe mais oportunidades?!


Também aproveitamos para zanzar por aí. 

De abril a julho, fomos conhecer a região central de Portugal.
Coimbra, Nazaré, Óbidos, Évora, a Batalha de Aljubarrota... 
Ficamos dois meses em Leiria e mais dois em Pombal até conseguirmos um cafofo para chamar de nosso. E experimentamos muitos vinhos e pratos diversos da deliciosa culinária lusitana.

Agora moramos em Sintra, encantadora com seus castelos e histórias e gente atenciosa. 
Sua paisagem combina campos e montanhas, com pitadas de praias à distância.
Pertinho da bela Lisboa e de praias maravilhosas como Ericeira e Azenhas do Mar.

Temos muito a conhecer e logo, espero, haverá mais histórias para contar... 
Que assim seja.